Imagem capa - A (nem tão) doce espera e a descoberta da (sur)real maternidade gemelar por Kelly Schmidt - Fotografia feita de amor!
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A (nem tão) doce espera e a descoberta da (sur)real maternidade gemelar

Neste ano, nosso mundo da fotografia de família teve novas gêmeas e um novo leque de informações de como é a interação e com isso, novas conversas com mamães e o papais sobre a convivência, diferenças... porque a gente percebe nas fotografias e nas horas em que estamos juntos, o quanto as relações são ricas e cheias de detalhes. É algo que nos surpreende, assim como todas as relações entre irmãos, que a gente ama de paixão! Desses encontros da vida, conheci a Ju Miranda pelo instagram e não podia deixar de interagir naqueles posts de stories tão cheios de vida! Nos encontramos pessoalmente em um aniversário infantil e pra variar, já convidei para que ela contasse a sua história aqui no blog ;) E ela topou! E nós amamos! <3 

Este é um espaço para compartilhar a vida! Mamães, vocês estão convidadas! Sintam-se à vontade! 


A (nem tão) doce espera e a descoberta da (sur)real maternidade gemelar!

O ano era 2016. Recém formada no curso de Direito e ganhando razoavelmente bem para me manter sozinha morando num luxuoso apartamento de aproximadamente 50m² no condomínio ~geriátrico~ Cohabpel.


Minha vida estava começando a ter a liberdade que eu sempre quis. Minhas coisas, meu dinheiro, meu banheiro com a pia dentro do box, minha cachorra e minha gata. Depois veio o Yuri de mala e cuia para ocupar mais um lugarzinho.
 Estava tudo indo muito bem, conversas sobre não sermos pai e mãe pois gostávamos muito de dormir até tarde e não ter responsabilidade sobre coisas e pessoas…


Janeiro de 2017 chegou metendo o pé na porta e avisando que a responsabilidade havia chegado em forma de 2 tracinhos rosa num teste de farmácia. Tremi. Chorei. Liguei pro Yuri. Apavorado. Também chorou.

 Aos poucos fomos nos acostumando com a ideia de sermos pais. Olhando apartamentos maiores para organizar a chegada de um bebê… 


Primeira ultrassom e para a nossa alegria havia apenas uma bolinha. Brincando com a ginecologista feat obstetra eu comentei: “ainda bem que é uma única bolinha” e ela me retrucou: “isso não quer dizer nada.”


Passadas algumas semanas, nova ultrassom para a tal translucência nucal… Yuri não foi porque estava trabalhando. Fui para a sala acompanhada da minha mãe… O médico preparando a situação, eu olhando e conversando calmamente com a minha mãe e ele me diz apenas uma coisa: “olha, tem uma surpresinha aí… são dois”. Entrei em pânico e eu só pensava como que eu iria cuidar de dois bebês ao mesmo tempo e como eu iria contar mais essa para o pobre do pai das crianças.

 Por óbvio que todo mundo achou que eu estava mentindo, pois assim como a notícia da gravidez veio acompanhada de um meme da Beyoncé, eu também seria mãe de gêmeos igual a mãe a Sr. Carter. 

Minha gravidez não foi nada tranquila. Nada mesmo. Com 14 semanas de gestação descobrimos que estávamos enfrentando um problema chamado Síndrome de Transfusão Feto-fetal (que pode dar uma outra história bem legal hahaha) e que a gravidez só seria viável se eu fizesse uma cirurgia intrauterina em São Paulo e que não havia cobertura pelo SUS. Com 19 semanas eu fui para a tal cirurgia em São Paulo, tremendo igual uma vara verde. Acordei no meio da cirurgia, ouvi o médico dizendo pro anestesista “não mexe nela aí pois eu posso furar”. O anestesista deu mais uma dose e eu voltei ao sono dos anjos. 

Pós cirurgia, tudo dando absolutamente certo. Ultrassons semanais para monitorar o Henrique e o Vicente, meus dois gurizinhos amados. 

Com 33 semanas e 3 dias descobrimos que as coisas não iam bem. Vicente estava entrando em sofrimento fetal e teríamos que interromper a gravidez. Não haviam leitos de UTI neonatal em Pelotas. Correria sem fim para acharmos um lugar para o parto. Rio Grande, nossa cidade vizinha, foi a salvação.


Nasceram dia 26/08/2017, às 23:52 e 23:53, no hospital da Furg. Foram encaminhados para a UTI neonatal e de lá começou a minha saga real como mãe. 

Acho que eu não estava preparada para tudo que aconteceu e acredito que foi a melhor coisa que podia ter me acontecido. Não ter a real noção do perigo me fez manter a calma durante todo o período de internação dos guris. 

Inúmeras idas ao banco de leite ordenhar, horas em pé na frente de uma incubadora olhando meus filhos e descobrindo tudo sobre doenças, apitos, saturação e tudo mais que envolve uma UTI. 

Os dois tiveram enterocolite necrosante e passaram boa parte da internação em isolamento de contato, ou seja, não podiam sair da incubadora, não podiam ir para o colo e muito menos mamar no meu seio. Foi uma frustração enorme ver que os dois precisavam muito de mim e que eu não podia fazer tudo o que eu mais queria, que era poder pegar e abraçar bem forte para mostrar que eu estava ali, do lado deles. 

Embora eu e o Yuri tenhamos passado por inúmeras situações lá dentro, encontramos também muitos amigos e muito apoio naquele ambiente verde e frio. Os dias se tornavam mais leves por que levávamos a situação numa boa e sempre acreditando que tudo daria certo.

Realmente deu tudo certo. Muito certo. 

Dia 27/09/2017 o Henrique teve alta e dia 02/11/2017 o Vicente veio se juntar a nós. 

A liberdade aquela, tão sonhada, se tornou um laço cada vez mais apertado. Voltei para a casa dos meus pais acompanhada do meu namorado e meus dois filhos. 

Ter os dois juntos, comigo, era o que eu mais queria e desejava. Sonhava com o momento de amamentar os dois. 

Chegamos em casa pós alta do Vicente, eu faceira da vida que estava, sentei na cadeira de amamentação e coloquei os dois ao mesmo tempo para mamarem e lá começou o meu desespero e o deles também.

 Acostumados a tomarem leite por seringa e mamadeira, eles não queriam mais passar trabalho sugando o leite que demorava a descer e, em forma de protesto, começaram aos berros e eu também caí no choro. Me senti impotente e a pior mãe do mundo. Como assim? Meus filhos chorando por estarem fazendo o que eu mais queria? 

Ali eu vi que as coisas não seriam tão fáceis quanto eu imaginava.



Ordenhei muito manualmente e com maquininha… tentei de todas as formas manter o máximo possível da amamentação e fui vencida pelo cansaço. Vi que eu não tinha mais forças para continuar quando notei que na máquina havia apenas o sangue do meu seio machucado e não havia mais leite. Juntei o pouco que eu tinha dos meus leites e dei a última mamadeira chorando por não ter conseguido algo que eu tanto queria.

 Depois de me dar por vencida na amamentação eu queria ser o mais perfeita possível. Queria ter o controle de tudo. Queria que eles dormissem na hora que eu planejasse. Queria que eles não chorassem ao mesmo tempo e que me dessem uma folguinha.


Depois de um dia cansativo de trabalho, Yuri e minha mãe na faculdade e eu sozinha com 2 bebês de 5 meses. Tentando fazer eles dormirem eu me vi no maior desespero. Os dois berrando sem parar e não havia o que eu fizesse para acalmá-los. Eu entrei em surto, literalmente, e comecei a berrar junto com eles implorando pra que parassem de chorar porque eu não estava aguentando mais. 

Eu realmente não aguentava. Meu psicológico e físico não tinham mais condições de dar conta de tudo e eu tive que procurar ajuda com psiquiatra e psicóloga.




Não tinha como ser uma pessoa forte e inabalável o tempo todo. Aguentei firme até onde pude e desmoronei diante do estresse causado pela maternidade real e nada romantizada. Por vezes eu desejava não ser mãe e pensava que a minha única saída seria me jogar da sacada de casa.

Comecei tratamento com remédios e terapia e as coisas começaram a se ajeitar e encaixar. Já não me acordava mais querendo matar meio mundo e nem estressada pelo choro de fome dos meus filhos. Comecei a entender que tudo se tratava da natureza e do instinto e que nada adiantava eu querer ter controle de dois bebês que mal sabiam separar quem eles eram e quem era a mãe deles.


Aos poucos fomos nos acostumando com a rotina. Aos poucos eles foram se acostumando com a mãe deles… 
Viver minha vida em função da deles, embora isso pareça assustador para uma jovem (nem tão jovem) que planejava não ter filhos, foi a melhor coisa que podia ter acontecido na minha vida.

Esse 1 ano de vida passou voando e muitas vezes eu olho pra trás e tenho vontade de viver tudo outra vez. Todas as dores e as delícias da maternidade real, que assusta, que chora, que não tem hora e que ainda assim me faz muito feliz.


Diante das dificuldades que passamos (e que ainda passo), ter meus filhos com saúde é o melhor presente que eu poderia receber em vida.


Sei que não sou uma mãe perfeita, mas sou a mãe que eu posso ser e eles são os filhos que eu mereço ter!


E de tudo isso eu tirei uma lição: planejamentos são importantes, mas quando somos tomados pelo susto acabamos nos tornando ainda melhores naquilo que precisamos fazer!


Foto da capa: Helena e Isadora, nossas clientes e amigas desde os 3 meses de idade ;) no ensaio de 4 anos

Fotos do newborn do Henrique e do Vicente: Angélica Rossi

Quer ver mais? Então clica aqui pra ver o ensaio de 5 anos da Helena e da Isa


Gostou? 

A Juliana abriu o coração para nos contar um pedacinho dessa história que ainda tem muito pela frente. Vida real, como a gente gosta! Gratidão Ju! É incrível conhecer tantos detalhes mais de pertinho! <3 Bjo grande a todos! 


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